E se um dia alguém acordasse e o mundo não tivesse som!?
Foi o que aconteceu ao Arnesto. No dia anterior, tinha feito o seu habitual mergulho de profundidade, junto a Sesimbra. Só que desta vez, algo correra mal, muito mal. Ambos os tímpanos rebentados. A recuperação iria ser lenta e dolorosa. Como é que se vive sem ouvir? Arnesto, alma de lutador, não se entregou ao desespero.
Descobriu a Associação de Portugal de surdo-mudos e no mesmo dia em que saiu do hospital, dirigiu-se para lá. Só. Enfrentar o touro, logo de início, sem forcados de ajuda. A muito custo fez-se entender!
Inscreveu-se num curso de linguagem gestual e foi ultrapassando as barreiras que lhe iam aparecendo, na comunicação com os outros. Passados dois meses, já acompanhava um grupo de surdo-mudos que, à sexta-feira à noite, se juntavam num restaurante do Parque das Nações. Eram conhecidos pelos Tambores do Tejo!
Já recuperado, Arnesto vive agora entre dois mundos. O anterior ao acidente e o do silêncio em que ganhou asas que não sabia que possuía.
Todos os dias pode ser visto no telejornal do segundo canal, num quadrado pequeno do écran, a transmitir as notícias através da sua nova linguagem:
Viva o Arnesto!